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Improviso escancara descaso: calçada é destruída para tapar buracos em Rodrigues Alves

Folha do Juruá

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Um episódio revoltante registrado por um morador de Rodrigues Alves expõe, de forma escancarada, o descaso da gestão municipal com a infraestrutura urbana e com a população. Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver trabalhadores destruindo uma calçada para retirar material e utilizá-lo no tapa-buracos de ruas do município, uma prática que beira o absurdo e evidencia a completa falta de planejamento.

A cena causa indignação não apenas pelo improviso, mas pelo desrespeito direto ao patrimônio público e aos direitos dos pedestres. Calçadas existem para garantir mobilidade e segurança, especialmente para idosos, pessoas com deficiência e crianças. Ao serem destruídas para “resolver” outro problema, a gestão cria um novo transtorno e expõe a população a riscos ainda maiores.

O caso levanta questionamentos graves: como um município chega ao ponto de destruir uma calçada para tapar buracos? Onde estão os materiais adequados? Onde está o planejamento e a fiscalização? A atitude demonstra que o problema não é apenas a precariedade das ruas, mas a ausência de gestão eficiente e responsável dos recursos públicos.

Além do prejuízo imediato, a prática pode configurar irregularidade administrativa, já que bens de uso comum estão sendo danificados sem qualquer transparência ou explicação à população. Até o momento, a Prefeitura de Rodrigues Alves não se manifestou oficialmente, nem informou se a calçada será reconstruída ou quem responderá pelo dano causado.

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Resolver buracos destruindo calçadas não é solução, é sintoma de um governo que atua no improviso, empurrando problemas com a barriga e tratando o dinheiro público com descaso. O episódio reforça a cobrança da população por respostas, providências e respeito, algo que, pelo visto, anda em falta na gestão municipal.

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O Jornal Folha do Juruá acredita no Jornalismo comprometido com a verdade dos fatos e com a ética, trazendo sempre os principais fatos de Juruá e região, além dos destaques nacionais e da mídia.

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Morador de Tarauacá grava vídeo e critica prefeito Rodrigo Damasceno pela situação precária de rua no município

Folha do Juruá

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Um morador do município de Tarauacá, no interior do Acre, viralizou nas redes sociais nesta semana após gravar um vídeo em que critica abertamente o prefeito Rodrigo Damasceno pela situação de abandono da rua onde reside. No registro, o homem aparece caminhando em meio à lama, visivelmente indignado com as condições do local.

Durante o desabafo, ele afirma que se arrependeu de ter votado no prefeito, ressaltando que acreditava que sua rua seria pavimentada ou ao menos recebesse manutenção adequada. Segundo ele, ruas próximas já teriam sido recuperadas pela gestão municipal anterior, mas a sua continua esquecida.

O morador também declara no vídeo que “era para ter votado na ex-prefeita”, argumentando que, se ela estivesse no comando da administração, sua rua não estaria nas condições atuais e provavelmente já teria sido arrumada.

A gravação expõe o sofrimento de moradores que convivem diariamente com lama, buracos e falta de infraestrutura básica. A crítica evidencia o sentimento de frustração de parte da população, que cobra ações imediatas e mais atenção do poder público às áreas mais afetadas.

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Em projeto inédito, governo do Acre e Povo Manchineri transformam cacau nativo em potência econômica com saberes ancestrais e inovação

Folha do Juruá

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Autonomia, preservação ambiental e o compromisso com um legado que pulsa nas mãos dos mais jovens. É assim que se desenha, hoje, a trajetória do cacau no Acre, uma cadeia produtiva que ganha força também nas terras indígenas. Na Aldeia Extrema, situada na Terra Indígena Mamoadate, o cacau nativo é mais que fruto: é símbolo de resgate, renda e protagonismo comunitário. Ali, colhe-se esperança e movimenta-se o futuro.

De acordo com dados recentes, 1.333 pessoas vivem neste território pulsante, habitado pelas etnias Manchineri, Yaminawá e pelos Mashco, grupo de indígenas em isolamento voluntário. No solo da floresta, há séculos preservado pelos saberes ancestrais, brota agora uma nova esperança: uma cadeia sustentável de renda que alcança toda a comunidade.

Com o fortalecimento da bioeconomia como horizonte, o cacau nativo desponta como símbolo da potência econômica da floresta em pé, cultivada por quem há muito reconhece seu verdadeiro valor. Do chão fértil da floresta, há gerações preservadas pelos povos originários, brota agora uma fonte de renda sustentável que transforma a vida comunitária.

Seagri tem se aproximado das comunidades e se tornado apoio em cultivos que se consolidam no estado. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Protagonismo

Com o apoio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), o povo indígena Manchineri assume o protagonismo desse movimento. No início deste ano, ações pontuais trouxeram às aldeias o encontro entre saberes ancestrais e técnicas modernas: capacitações revelaram um novo tempo para os indígenas, em que o cacau se torna aliado e elo entre gerações. Mais que um fruto, ele representa renda, resgate cultural, proteção ambiental, e uma razão concreta para que os jovens permaneçam em suas terras, cultivando futuro e identidade.

Desde o início do ano, de maneira inédita, o cacau vem ganhando espaço na Terra Indígena localizada no extremo de Assis Brasil. Para os Manchineri, as capacitações revelaram o valor de um tesouro que há muito brotava silencioso em suas terras: o cacau nativo, que agora desponta como fonte de renda, cultura e preservação.

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Foi durante uma simples pescaria que Lucas Artur Brasil Manchineri,  presidente da Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktshi Hajene (MAPPHA), teve um olhar transformador. Ali, diante da paisagem já conhecida, vislumbrou o potencial de uma cadeia produtiva capaz de impulsionar a comunidade. Mas para concretizar esse sonho, seria preciso mais que visão: era necessária uma parceria que respeitasse os saberes indígenas e apostasse na força da floresta em pé.

Liderança na aldeia Extrema, na Terra Indígena Mamoadate, Lucas Manchineri fala em expandir cadeia do cacau, trabalhando com subprodutos. Foto: Ingrid Kelly/Secom

“Para o Povo Manchineri, o cacau é um alimento saudável que gostamos de comer bastante em nossa tradição e aqui na nossa terra indígena tem bastante cacau e nós não plantamos, é a natureza que nos dá. Quando vi, durante uma pescaria, que tinha muito cacau estragando, levei essa alternativa de cultivo para a comunidade, que logo aceitou”, destaca a liderança indígena da Aldeia Extrema.

Até então, para os Manchineri, o trabalho com o cacau era visto apenas como uma atividade de subsistência, distante da compreensão sobre o potencial econômico e da cadeia produtiva que começava a se desenhar.

O ponto de virada ocorreu durante o Fórum Indígena, realizado em Rio Branco, quando Lucas Manchineri apresentou publicamente pela primeira vez a ideia que hoje transforma a relação da comunidade com a floresta.

A Comissão Pró-Indígena (CPI-AC), segundo a liderança, foi um braço importante nas reuniões, capacitações e investimentos no trabalho. Com isso, conseguiram um recurso proveniente da Fundação Casa, que ajudou nos primeiros passos.

Conhecimento é passado de geração para geração e vai garantir o futuro dos jovens nas aldeias, estimam os mais velhos. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Seagri próxima

A partir de então, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) passou a acompanhar de perto a jornada dos Manchineri, promovendo ações voltadas às boas práticas no manejo do cacau nativo. O trabalho envolve a limpeza de cipós, abertura de entradas de luz na mata, cuidado com plantas jovens, construção de trilhas para facilitar a colheita e identificação precisa do estágio ideal para a coleta dos frutos.

A primeira safra foi colhida em março deste ano, como modelo de teste e semente de um futuro promissor. Segundo Lucas Manchineri, embora o volume ainda seja modesto, a comunidade está confiante: nasce ali uma cadeia sustentável, rica em significado, e que, acima de tudo, fortalece os vínculos entre os indígenas e sua terra.

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Foram colhidos 50 quilos de cacau, gerando R$ 2,8 mil em receita para a comunidade. Pode parecer pouco, mas esse resultado representa o primeiro passo de um movimento que não tem retorno, um projeto que cresce com raízes firmes e que, segundo a Seagri, desponta como uma das grandes promessas da agricultura no Acre.

“Foi a resposta que eu precisava para que a gente apostasse no cacau. Porque a gente viu o resultado, gerando rendimento para a comunidade e uma forma de que nossos jovens possam trabalhar e ficar nas aldeias”, esclarece a liderança.

A primeira safra de cacau foi colhida em março, ocasião em que os coletores da Terra Indígena puderam aplicar boas práticas de manejo com o apoio técnico do agrônomo Marcos Rocha, chefe da Divisão de Produção Familiar e coordenador do Programa Estadual do Cacau. Ele permaneceu na comunidade por mais de 30 dias, oferecendo orientação direta, esclarecendo dúvidas e fortalecendo o trabalho já iniciado pelos indígenas.

Para os próximos passos, os planos são ambiciosos: conquistar a indicação geográfica do cacau nativo da Terra Indígena, ampliar os negócios e explorar os potenciais derivados do fruto, como o licor. A meta para o próximo ano é colher mil quilos de cacau, o que pode gerar uma receita estimada em R$ 52 mil, reflexo de um trabalho que une tradição, técnica e visão de futuro.

“É sustentável, você não precisa destruir em canto nenhum. A natureza dá o recurso dela e também uma renda para o povo Manchineri. É diferente de outras pessoas que querem destruir a floresta”, reforça Lucas Manchineri.

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Comunidade se envolve em todos os processos da colheita e comercialização do cacau. Foto: cedida

Referência nacional e internacional

O governo do Acre vem construindo uma articulação sólida com o povo Manchineri por meio da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). A comunidade indígena passou a integrar a rota do cacau no estado, sendo reconhecida pela equipe técnica como uma das regiões com maior densidade do fruto nativo.

Essa abundância se transformou num elo entre saberes ancestrais e o conhecimento técnico, conduzido por uma equipe que atua com sensibilidade e valoriza as raízes da agricultura tradicional.

O trabalho com os Manchineri, por seu caráter pioneiro, tem potencial para se tornar referência nacional e internacional. Mas essa trajetória não é simples: envolve uma logística desafiadora, vencida por quem compreende que sustentabilidade não se mede apenas por números, mas pela dignidade, pela permanência nas terras e pela qualidade de vida que floresce com respeito à floresta.

Chegar à Aldeia Extrema, onde se desenvolve o trabalho com a comunidade Manchineri, exige bem mais que vontade: envolve diálogo, articulação e uma logística desafiadora. A Seagri deu início às conversas com as lideranças indígenas, abrindo caminho para que a equipe técnica pudesse, enfim, entrar em campo.

O trajeto, aliás, é um capítulo à parte. São mais de cinco horas de viagem por estrada entre Rio Branco e Assis Brasil, cruzando paisagens intensas e emblemáticas, como a Reserva Extrativista Chico Mendes, até alcançar a comunidade de Icuriã, porta de entrada para uma parceria que finca raízes profundas na floresta.

Logística até a terra indígena envolve rodovia, rios e estradas de barro que cortam a Reserva Extrativista Chico Mendes. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Logística

A partir da comunidade Icuriã, o trajeto segue pelo sinuoso Rio Iaco, levando de 8 a 10 horas, dependendo da época do ano. Durante os dias em que a equipe da Agência de Notícias e da Seagri navegou pelo manancial, o nível da água estava especialmente baixo, marcando menos de um metro, com trechos que chegavam a apenas 74 centímetros.

O percurso é marcado por balseiros e constantes encalhamentos de embarcações, o que torna a viagem ainda mais longa e desafiadora. Tudo isso é enfrentado pelas equipes do governo em nome de uma diretriz clara da gestão de Gladson Camelí: diminuir desigualdades e construir pontes físicas e simbólicas, com os povos originários.

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O trabalho técnico, conduzido com respeito e escuta, foi realizado em plena sintonia com a comunidade Manchineri, consolidando um elo de colaboração que busca melhorar efetivamente a qualidade de vida local.

Os indígenas participam de todas as etapas: do manejo da floresta à quebra, fermentação e secagem das amêndoas. O cacau nativo, que brota espontaneamente no coração da mata, é comercializado para grandes empresas, especialmente aquelas voltadas à produção de chocolate gourmet. No mercado, esse cacau é reconhecido como um dos mais nobres e valorizados para criações de alta qualidade.

Esse projeto está dentro da chamada Rota do Cacau, onde a Seagri identifica áreas com potencial de cacau nativo e cacau plantado.

“No caso dos Manchineri, a gente fez uma parceria com a associação deles e identificamos, segundo as informações deles, no mesmo momento, de que existia um grande potencial. A partir disso, planejamos um campo e viemos fazer esse mapeamento, onde nós identificamos a quantidade de planta por área, o tamanho, a quantidade de frutos por planta, o potencial produtivo e o que isso representa em termos de valorizar a floresta com geração de renda e dar dignidade para essas famílias da Aldeia Extrema”, pontuou Marcos Rocha.

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O envolvimento direto com a comunidade, valorizando a essência coletiva do povo Manchineri, foi o alicerce dessa iniciativa. O trabalho teve como princípio fortalecer a participação ativa dos moradores, com atenção especial à inclusão de jovens e mulheres, protagonistas no processo de transformação social e econômica que vem florescendo na Terra Indígena.

“Com 15 minutos que formamos o grupo de trabalho, os jovens Manchineri já estavam mexendo no GPS e tirando ponto de coordenada geográfica. A gente envolveu os jovens ensinando as boas práticas de manejo florestal com o cacau nativo deles”, completa.

Há também o lado social do fortalecimento da cadeia do cacau nativo: a oportunidade para que os jovens fiquem dentro dos territórios. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Fortalecendo vínculos

Para Marcos Rocha, o trabalho desenvolvido com os Manchineri, além de pioneiro, atravessa camadas profundas da realidade comunitária. Envolve desde a integração efetiva do Poder Público até questões ambientais e sociais. A cadeia do cacau surge como uma nova economia, capaz de fortalecer os vínculos dos indígenas com suas raízes, evitando que os jovens deixem suas aldeias em busca do contexto urbano e fazendo com que muitos deles retornem ao lar.

Essa, segundo ele, é hoje uma das maiores preocupações dos povos indígenas: garantir que os mais jovens permaneçam em suas comunidades, pois é nessa permanência que vive e se perpetua a cultura ancestral.

“Esse cacau nativo não representa só o produto em si, mas é uma luta pelo território, pelo envolvimento dos jovens para que não saiam da comunidade para vender mão de obra para fazendas ou outros serviços que vão perdendo a sua cultura”, destaca ao frisar que o cacau representa, ao mesmo tempo, sustentabilidade, geração de renda e principalmente dignidade para a comunidade.

“Envolve as mulheres e principalmente os jovens e isso tem que ser um produto diferenciado em termos do mercado, porque não é simplesmente o produto em si”, pontua Rocha.

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A Seagri acompanha de forma integral todas as etapas da cadeia produtiva do cacau nativo, desde o inventário florestal da espécie, passando pelo manejo sustentável, colheita e fermentação, até chegar à comercialização. Neste primeiro ciclo, a pasta atua como intermediária na compra inaugural do cacau colhido pelos Manchineri. No entanto, o propósito maior é transferir gradualmente todo o processo às mãos indígenas, promovendo autonomia plena da comunidade na gestão dessa riqueza natural.

Segundo o chefe da divisão técnica responsável pelo acompanhamento da iniciativa, a parceria ainda está em seus primeiros capítulos. Como já antecipou Lucas Manchineri, a comunidade está motivada e comprometida em se tornar uma referência nacional quando o assunto é cacau nativo, fruto que nasce espontaneamente no coração da floresta e carrega em si um potencial singular: econômico, ambiental e profundamente cultural.

“Eles estão muito animados, eles querem seguir com esse trabalho, então a Seagri vai continuar com essa ação que tem o apoio da comunidade e vamos seguir com a segunda colheita, já visualizando os subprodutos, como o licor, e futuramente a indicação geográfica, pois já temos o diferencial da marca Manchineri”, revela.

Da floresta ao mundo, cacau nativo do Acre chama atenção de fazedores de chocolate gourmet. Foto: cedida

Impacto econômico e social e elo de relações

Dos mais velhos aos mais jovens, o olhar é convergente: o cacau é o novo tesouro da Amazônia. Em sua cadeia produtiva, ele conecta a preservação das tradições, a sustentabilidade ambiental e o acolhimento social, raízes que se entrelaçam no cotidiano das comunidades.

Nunca antes um governo esteve tão próximo da comunidade, enfrentando obstáculos logísticos, cruzando rios e estradas, e fazendo questão de estar presente na ponta, onde o futuro começa a ser cultivado pela força dos saberes ancestrais.

Dionísio Napoleão Manchineri, 62 anos, vê essa dinâmica como agregadora. “Eu acho importante porque une os mais novos e os mais velhos e com a ajuda do Marcos ficamos ainda mais animados.”

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Para Edmilson Manchineri, trabalhar com os jovens e tendo o apoio técnico para o crescimento da cadeia, é o que mais os motiva. “Para mim foi ótimo, pois temos que trabalhar com os jovens e isso aqui é um conhecimento que vai passar de geração para geração”, enfatiza.

Aos 17 anos, Junilson Sebastião Manchineri, é um dos mais jovens da turma e que se encantou ao aprender a usar o GPS. A parte do manejo, para ele, foi onde se encontrou. “Quero trabalhar com isso. É muito interessante”, completa.

Todo o trabalho da Seagri é feito com a participação massiva da comunidade, como o mapeamento dos pés de cacau nas áreas estudadas. Foto: Ingrid Kelly/Secom

O poder do conhecimento

Entre cantorias e risadas, Lázaro Manchineri se destaca como um dos mais entusiasmados da equipe. Líder nato, é ele quem coordena os trabalhos, anima os companheiros com brincadeiras e distribui apelidos, criando um ambiente leve e profundamente coletivo, traço característico do povo Manchineri.

A caminhada até os pés de cacau é marcada por alegria e união. Em suas palavras, Lázaro ressalta o valor do conhecimento e, sobretudo, do reconhecimento de uma potencialidade: “Só podemos desenvolver algo quando sabemos que ela existe.”

Antes da parceria com a Seagri, conta ele, não imaginava a dimensão da riqueza que a floresta oferecia de tempos em tempos.

“Através da Seagri, nós agora estamos tendo o conhecimento de como trabalhar com o cacau dentro da nossa terra indígena. A Seagri nos ajudou a reconhecer o valor econômico desse recurso da natureza”, frisa.

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Guardiões da floresta e defensores ferrenhos da preservação, Lázaro Manchineri conta que seu povo sempre cuidou da floresta e reconheceu sua potencialidade em diferentes culturas, mas também destaca que a orientação técnica é uma aliada importante para o aproveitamento dessa cadeia e manutenção dos pés nativos.

Os Manchineri também vislumbram um novo desdobramento para o futuro da cadeia do cacau: iniciar o plantio utilizando sementes nativas da própria floresta. A proposta não apenas fortalece a economia da comunidade, mas amplia os impactos positivos sobre o meio ambiente, já que o processo envolve o reflorestamento de áreas e a regeneração natural do território.

“A nossa riqueza está dentro da terra indígena, sem precisar ser derrubada. E, além de tudo, dando trabalho para os nossos jovens que estão animados para trabalhar com isso”, destaca.

Com apoio da Seagri, uma estufa foi montada dentro da terra indígena para a secagem do café. Foto: cedida

O cacau do Acre para o mundo

O cacau, ao lado de outras cadeias produtivas consolidadas no Acre, será destaque central durante a Expoacre em Rio Branco, que começa neste sábado, dia 26, no Parque de Exposições Wildy Viana. O evento promete ser vitrine das ações da Seagri no fortalecimento da bioeconomia regional, além de palco para debates, trocas de experiências e articulações futuras.

Entre os destaques, estará representado o pioneirismo da ação desenvolvida na Terra Indígena Mamoadate, especialmente na Aldeia Extrema. Sirlande Manchineri prepara-se para compartilhar relatos sobre o impacto das parcerias institucionais e como esse trabalho colaborativo tem transformado a realidade da comunidade, provando que tradição e inovação podem caminhar juntas.

“O que quero mostrar é que estamos animados em trabalhar com o cacau, que estamos organizados com nossa associação, e que é algo que vem gerando renda para os nossos jovens e deixando-os na aldeia. Muitas vezes a gente tinha que sair daqui para ir trabalhar nas fazendas no Peru, mas agora não. Com esse projeto do cacau, estamos vendo os jovens interessados em trabalhar, porque ganhamos melhor com o cacau do que nas fazendas e, por isso, estamos animados”, finaliza.

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O cacau que brota espontaneamente no coração da floresta amazônica, protegido pelos povos indígenas e disputado pela fauna, que também contribui para sua regeneração, é hoje responsável pelo aroma e sabor de chocolates apreciados ao redor do mundo. Esse fruto nativo, que nasce longe das plantações convencionais, dá início a um processo que começa dentro das comunidades, com apoio do governo, e culmina em uma cadeia produtiva que une desenvolvimento econômico e sustentabilidade.

É a força da floresta em pé transformada em riqueza compartilhada, revelando ao mundo que o cacau do Acre não apenas tem qualidade excepcional, mas carrega em si a história, a cultura e o futuro de uma região que avança sem abrir mão de suas raízes.

Da floresta, brota um recurso natural que vai movimentar a economia dentro das comunidade indígenas. Foto: Ingrid Kelly/Secom

Do chão da mata ao mercado global

A Rota do Cacau no Acre é um conjunto de ações que busca mapear, fortalecer e integrar os elos da cadeia produtiva do cacau. A iniciativa conecta produtores rurais, extrativistas, comunidades indígenas, agroindústrias, universidades e o poder público em uma rede que tem como objetivo impulsionar a produção sustentável e agregar valor ao cacau nativo.

Desde a produção e beneficiamento até a comercialização e exportação, a rota busca oferecer capacitação técnica, infraestrutura, certificações e abertura de mercados, tudo isso alinhado à conservação da floresta.

A Rota do Cacau é um projeto desenvolvido em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Universidade Federal do Acre (Ufac), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Acre (Idaf), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), prefeituras, cooperativas e associações de produtores.

Segundo o secretário de Estado de Agricultura, Luiz Tchê, a cadeia produtiva do cacau nativo desponta como uma das maiores apostas estratégicas da gestão, não apenas pelo seu potencial econômico, mas pelo impacto social, cultural e ambiental que representa para o Acre.

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“O cacau nativo é uma das nossas maiores apostas. Ele representa não apenas um produto com alto valor de mercado, mas um símbolo de desenvolvimento sustentável, que respeita a identidade cultural e ambiental do Acre”, declarou Tchê.

Este ano, a Seagri vai lançar o programa de incentivo à cultura cacaueira no Acre, o que vai incentivar e promover a cultura no estado. O programa deve conectar produtores, empreendedores e instituições públicas para a valorização do produto.

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Acidentes

Homem agride a mãe e atira no irmão que morre no Pronto-Socorro

Folha do Juruá

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José Pereira Júnior, de 27 anos, morreu na tarde desta quinta-feira, 1º, ao dar entrada no Pronto-Socorro de Rio Branco, após ser atingido por um disparo de escopeta no peito. O crime ocorreu no bairro Laranjal, em Xapuri, no interior do Acre, e o principal acusado é o próprio irmão da vítima, um adolescente de 17 anos, que foi apreendido logo após o homicídio.

 

De acordo com informações policiais, José era um homem trabalhador, casado e morador de uma residência própria. Já o adolescente, usuário de drogas, vivia com a mãe em outra casa e acumulava um histórico de comportamento violento, especialmente contra a própria mãe.

 

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O conflito entre os irmãos teve origem em episódios anteriores, quando José impediu o adolescente de agredir a mãe, o que resultou na apreensão do jovem à época. Esse passado gerou ressentimento por parte do adolescente, que teria premeditado o ataque.

Na manhã do crime, José tentou mais uma vez proteger a mãe das agressões do irmão. Após a discussão, o adolescente aguardou que a situação se acalmasse. Mais tarde, armado com uma escopeta, invadiu a casa de José e disparou contra ele. A vítima foi atingida no peito e caiu agonizando na porta de sua residência. O agressor fugiu em seguida.

 

Familiares de José socorreram a vítima e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele foi inicialmente atendido no Hospital Epaminondas Jácome, em Xapuri, mas, devido à gravidade dos ferimentos, foi transferido para o pronto-socorro de Rio Branco. Apesar dos esforços médicos, José não resistiu e faleceu minutos após chegar ao centro cirúrgico.

 

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A Polícia Militar iniciou diligências e localizou o adolescente pouco tempo depois. Ele foi apreendido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Xapuri, onde o caso.

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